Construir casa é um projeto que envolve muitas decisões, tempo, dinheiro e, inevitavelmente, alguns imprevistos. Quando começámos a construir a nossa, havia muitas coisas que ainda não sabíamos e que fomos aprendendo ao longo do processo.
Agora, cerca de três anos depois de nos mudarmos, consigo olhar para trás e perceber o que teria sido útil saber antes de começar. Não significa que tenha corrido tudo mal, nem que exista uma fórmula certa para construir uma casa, mas há aprendizagens que podem ajudar a evitar alguns erros e a tomar decisões mais informadas.
Por isso, neste segundo episódio da série “Se construísse casa hoje”, reuni 13 conselhos que gostava de ter recebido antes de construir a nossa casa.
Se estás a pensar avançar com este projeto, espero que a nossa experiência te possa ajudar.
Esta série é realizada com o patrocínio da Casa Peixoto.
A Casa Peixoto acompanha esta série e disponibiliza soluções para construção, remodelação e decoração, com uma grande variedade de produtos e serviços. Podes conhecer as suas soluções numa das suas lojas e showrooms ou através do site www.casapeixoto.pt.
1. Escolhe um arquiteto cujo trabalho vá ao encontro dos teus gostos
A escolha do arquiteto é uma das primeiras decisões importantes quando se começa a planear uma casa. E, na minha opinião, não deve ser feita apenas por conveniência, proximidade ou recomendação de alguém conhecido.
É importante conhecer os projetos que o arquiteto já desenvolveu, perceber o seu estilo e avaliar se existe uma identificação com aquilo que imaginas para a tua casa.
Isso não significa que tenhas de gostar de tudo o que vês no portefólio, nem que o projeto final tenha de ser igual a outro que já existe. O objetivo é perceber se a forma como o profissional trabalha e pensa os espaços está alinhada com as tuas preferências.
Uma casa é um projeto muito pessoal. Quanto melhor conseguires transmitir aquilo que procuras e quanto maior for a identificação com o trabalho do arquiteto, mais fácil poderá ser chegar a um resultado de que gostes.
2. Prepara-te para um processo burocrático e demorado
Se estás a pensar construir casa, convém saberes que o processo pode ser bastante mais demorado do que imaginas.
Há projetos para desenvolver, documentos para tratar, entidades com quem comunicar e decisões que precisam de ser tomadas antes de a construção poder avançar. E nem tudo depende de nós: existem procedimentos e prazos que temos de respeitar.
É fácil ficar frustrado quando sentimos que estamos à espera de respostas ou que o processo não avança à velocidade desejada. Por isso, ajuda ter alguma margem no planeamento e não contar que tudo aconteça exatamente nas datas que imaginámos.
Apesar disso, não encares a burocracia como um motivo para desistir. É uma parte importante do processo de construção e, com preparação, acompanhamento e alguma paciência, é possível avançar.
3. Não contrates amigos só porque os conheces
Este é um conselho que considero especialmente importante: não escolhas um profissional apenas porque é teu amigo ou porque alguém próximo te fez a ligação.
Quando construímos casa, é natural procurarmos pessoas em quem confiamos. E conhecer alguém pode dar-nos uma sensação de segurança. Mas uma relação pessoal não substitui a experiência, a competência e o profissionalismo necessários para executar um trabalho desta dimensão.
Construir uma casa envolve dinheiro, prazos, contratos e decisões importantes. Podem surgir problemas, desacordos ou situações em que seja necessário exigir correções. Quando existe uma amizade envolvida, essas conversas podem tornar-se mais difíceis.
Isto não significa que nunca devas trabalhar com alguém que conheces. Significa apenas que deves avaliar essa pessoa pelos mesmos critérios que utilizarias para qualquer outro profissional e deixar as condições do trabalho bem definidas desde o início.
4. Não gastes todo o orçamento na construção
É tentador fazer contas ao orçamento disponível e tentar aproveitar cada euro para construir a casa que imaginámos. Mas uma das coisas que considero fundamentais é não comprometer todo o dinheiro logo à partida.
Durante a construção podem surgir despesas que não estavam previstas, alterações que se tornam necessárias ou escolhas que acabam por ter um custo superior ao esperado. E, mesmo depois de a obra terminar, há sempre coisas a tratar antes de sentirmos que a casa está verdadeiramente concluída.
Por isso, tenta reservar uma margem financeira para imprevistos e despesas adicionais. Não é preciso prever tudo, porque isso nem sempre é possível, mas é importante não ficar sem capacidade de resposta perante uma despesa inesperada.
Ter um orçamento bem planeado não significa apenas conseguir pagar a construção. Significa também ter alguma tranquilidade para lidar com o que vier a seguir.
5. Não tomes decisões importantes sob pressão
Durante a construção, vais ter de tomar muitas decisões: materiais, revestimentos, equipamentos, cores, acabamentos e soluções para diferentes divisões.
Algumas podem parecer pequenas, mas, quando se acumulam, tornam-se cansativas. E é precisamente nessa altura que podemos cair na tentação de escolher qualquer coisa só para despachar o assunto.
Sempre que possível, evita decidir sob pressão ou sem teres a certeza do que queres. Procura informação, compara alternativas e tenta perceber as consequências de cada escolha.
Também ajuda pensar antecipadamente nos materiais e acabamentos que gostarias de utilizar. Não tens de decidir tudo antes de começar, mas quanto mais preparadas estiverem as tuas escolhas, mais fácil será responder quando chegar o momento.
Nem sempre vais conseguir ter todo o tempo do mundo para decidir. Ainda assim, vale a pena distinguir as decisões que podem esperar daquelas que precisam de ser tomadas com antecedência.
6. Tem atenção às alterações ao projeto
É normal que, durante a construção, te ocorram ideias novas ou percebas que gostarias de alterar alguma coisa. Afinal, é quando começamos a visualizar os espaços e a perceber como a casa está a ganhar forma que surgem muitas dúvidas.
O problema é que nem todas as alterações são simples de executar. Dependendo do tipo de mudança, pode ser necessário rever o projeto, obter pareceres ou apresentar elementos atualizados à Câmara Municipal.
Isso pode implicar mais custos e atrasos, além de condicionar o andamento dos trabalhos.
Por esse motivo, é importante pensares bem nas decisões antes de o projeto avançar e esclareceres com o arquiteto quais são as implicações de uma eventual alteração. Se, durante a obra, quiseres mudar alguma coisa, não assumes que basta pedir ao construtor para o fazer.
Cada situação deve ser avaliada pelos profissionais responsáveis, tendo em conta as características da alteração e os procedimentos aplicáveis.
7. Acompanha a obra e mantém contacto com o construtor
Mesmo que tenhas profissionais responsáveis pelo projeto e pela execução da obra, considero importante acompanhares o que está a acontecer.
Visitar o terreno com regularidade permite-te perceber a evolução dos trabalhos, esclarecer dúvidas e identificar atempadamente situações que precisam de ser discutidas.
Não se trata de estares constantemente a fiscalizar tudo ou de tentares substituir os profissionais. Trata-se de estares presente, acompanhares as decisões e manteres uma comunicação clara com quem está a construir a tua casa.
Se tens dúvidas, coloca-as. Se não percebes uma solução, pede que te expliquem. E, se identificares algo que não corresponde ao que foi definido, fala com o responsável enquanto ainda é possível analisar a situação.
É muito mais útil esclarecer uma questão no momento certo do que descobrir, quando a obra já está avançada, que algo não ficou como esperavas.
8. Prepara as tuas escolhas com antecedência
Ao longo da construção, vão pedir-te decisões sobre muitos pormenores. E, por vezes, essas decisões precisam de ser tomadas rapidamente para que os trabalhos possam continuar.
Se ainda não sabes que tipo de pavimento queres, que torneiras preferes ou como gostarias de organizar determinada divisão, podes acabar por ter de escolher sem o tempo necessário para comparar opções.
Por isso, tenta antecipar o máximo possível. Reúne referências, guarda imagens de que gostas e pensa nas soluções que fazem sentido para a tua casa.
Não precisas de ter tudo decidido desde o primeiro dia. O importante é ires preparando as escolhas à medida que o projeto avança, respeitando os prazos em que cada decisão tem de ser tomada.
Além de te ajudar a decidir com mais segurança, esta preparação torna o processo menos stressante e facilita a comunicação com o arquiteto e os restantes profissionais.
9. Pensa na funcionalidade, não apenas na estética
É natural querermos uma casa bonita. Guardamos fotografias de cozinhas, casas de banho e salas de que gostamos, imaginamos os materiais e pensamos nos pormenores que vão dar personalidade aos espaços.
Mas uma casa não serve apenas para ser vista. É onde vamos cozinhar, limpar, arrumar, descansar e viver todos os dias.
Por isso, antes de escolheres uma solução só porque fica bem, pensa na forma como a vais utilizar. Há espaço suficiente para arrumar o que precisas? É fácil limpar aquela superfície? A circulação funciona quando os móveis estão no sítio? A disposição dos equipamentos faz sentido para a tua rotina?
Estas perguntas podem parecer pouco interessantes quando comparadas com a escolha de um revestimento bonito, mas fazem uma diferença enorme no dia a dia.
A minha recomendação é que penses na casa que queres ver nas fotografias, mas, sobretudo, na casa em que vais viver. A estética é importante, mas a funcionalidade é o que vais sentir todos os dias.
10. Alinha as tuas preferências com as da pessoa com quem vais viver
Quando duas pessoas vão construir uma casa em conjunto, é importante conversar sobre aquilo que cada uma valoriza.
Pode parecer evidente, mas é fácil descobrir diferenças de opinião quando chega o momento de escolher materiais, definir divisões ou decidir onde investir mais dinheiro.
Uma pessoa pode dar prioridade à cozinha, enquanto a outra valoriza mais a sala ou o espaço exterior. Também podem ter ideias diferentes sobre a decoração, a arrumação ou a utilização de determinados espaços.
Não é necessário concordarem em tudo. O importante é conversarem antes de tomar decisões, perceberem o que é prioritário para cada um e procurarem soluções que funcionem para ambos.
A construção de uma casa implica muitas escolhas e, se estas forem discutidas com antecedência, será mais fácil evitar conflitos e tomar decisões com as quais ambos se identifiquem.
11. Mesmo com crédito à habitação, precisas de uma reserva financeira
Este ponto está relacionado com o orçamento, mas merece uma atenção especial.
Se vais recorrer a crédito para construir casa, informa-te muito bem sobre as condições de libertação do financiamento. Dependendo do contrato e da instituição bancária, o dinheiro pode ser disponibilizado por fases, de acordo com a evolução da obra e a avaliação dos trabalhos realizados.
Na prática, isto pode significar que precisas de ter dinheiro disponível para fazer face a determinadas despesas enquanto aguardas pela libertação de uma tranche do empréstimo.
Foi uma das questões que aprendi a valorizar ao longo do processo: não basta ter o financiamento aprovado. É igualmente importante perceber quando e em que condições o dinheiro estará efetivamente disponível.
Antes de começares, conversa com o banco, pede esclarecimentos sobre o funcionamento do crédito e prepara um plano financeiro que tenha em conta os pagamentos previstos e a possibilidade de existirem diferenças de tempo entre as despesas e a entrada do dinheiro.
As condições variam consoante o financiamento e o contrato, por isso, não te baseies apenas na experiência de outras pessoas. Confirma sempre os detalhes com a tua instituição bancária.
12. Pede referências e fala com pessoas que já trabalharam com o construtor
Escolher o construtor é uma decisão com um impacto enorme no processo de construção. E, para além de analisar orçamentos e propostas, considero importante procurar referências de pessoas que já tenham trabalhado com esse profissional ou empresa.
Se possível, tenta visitar casas que tenham construído e conversar com os respetivos proprietários. Pergunta como correu o processo, como foi a comunicação, se os prazos foram cumpridos e como foram resolvidos os problemas que surgiram.
Nenhuma obra é necessariamente perfeita e o facto de alguém ter tido uma experiência positiva não garante que a tua será igual. Ainda assim, ouvir relatos concretos pode ajudar-te a fazer perguntas mais pertinentes e a perceber melhor a forma de trabalhar do construtor.
Não escolhas apenas pelo preço ou porque alguém te recomendou uma pessoa. Procura informação, compara propostas e tenta perceber o que está incluído em cada uma.
Quanto mais informada for a tua decisão, maiores serão as hipóteses de começares a obra com expectativas realistas.
13. Mesmo numa construção chave na mão, acompanha os trabalhos
A expressão “chave na mão” pode transmitir a ideia de que basta entregar o projeto e esperar que, no final, esteja tudo pronto. Mas não deves assumir que isso significa que não tens de acompanhar a construção.
Numa obra participam diferentes equipas e profissionais, cada um com a sua especialidade. Quem executa uma determinada tarefa pode não ter conhecimento de todos os detalhes do trabalho realizado pelas equipas anteriores ou das decisões tomadas noutras fases.
Por isso, a comunicação entre os intervenientes e a verificação dos trabalhos são fundamentais.
É importante que existam profissionais responsáveis pelo acompanhamento e pela verificação da qualidade da obra, de acordo com as funções que lhes competem. Da tua parte, deves manter-te informado, esclarecer dúvidas e confirmar que as decisões acordadas estão a ser respeitadas.
Isto não significa que tenhas de saber executar todos os trabalhos ou que devas assumir o papel dos técnicos. Significa que não deves desligar-te completamente do processo só porque contrataste uma solução chave na mão.
Uma casa é um investimento muito significativo. Acompanhar a obra e garantir que as questões são esclarecidas no momento certo pode fazer toda a diferença.
Construir casa é também aprender ao longo do caminho
Quando olho para trás, percebo que construir casa não é apenas escolher um terreno, desenhar divisões e selecionar materiais. É um processo que exige planeamento, capacidade de decisão, disponibilidade financeira e comunicação com muitas pessoas.
Nem tudo pode ser previsto e nem todas as decisões vão correr exatamente como imaginámos. Mas preparar o processo, fazer perguntas, procurar referências e pensar na forma como queremos viver na casa pode ajudar-nos a tomar melhores decisões.
Estes 13 conselhos resultam da nossa experiência e daquilo que hoje considero importante saber antes de começar. Cada construção é diferente, por isso, adapta estas aprendizagens à tua situação e procura sempre aconselhamento junto dos profissionais responsáveis pelo teu projeto.
Se estás a pensar construir casa, espero que este artigo te seja útil. Não deixes de ver também o artigo 14 coisas que faria diferente se construisse casa hoje.
Vê o segundo episódio de “Se construísse casa hoje”
Neste vídeo, partilho estes conselhos com mais detalhe e explico o que aprendi ao longo da construção da nossa casa.
Ver o vídeo no YouTube: Todos os conselhos que gostava de ter recebido | Se construísse casa hoje #2
Esta série é realizada com o patrocínio da Casa Peixoto, que nos vai acompanhar ao longo dos próximos episódios.
Se estás a construir, remodelar ou simplesmente a pensar na tua futura casa, podes conhecer as soluções disponíveis nas lojas e showrooms da Casa Peixoto ou consultar o site www.casapeixoto.pt.
E tu, já construíste casa? Qual foi o conselho que mais te ajudou ou aquilo que gostavas de ter sabido antes de começar?